Mudar Língua pt Planeie a sua estadia

Oito décadas de Pousadas de Portugal

Exterior e fachada da Pousada Amares.

Nascida nos anos 40 do século passado, a rede das Pousadas de Portugal é um marco no desenvolvimento turístico do país. Esta é a sua história.

A rede Pousadas de Portugal começou a ser desenhada nos anos 40 do século XX pela mão de António Ferro, diretor do Serviço Nacional de Propaganda e responsável pela política cultural do Estado Novo. No final da década de 1930, Espanha tinha começado a apostar no turismo, tentando criar oferta onde ela não existia. Ferro quis seguir-lhe o exemplo. O turismo de massas é uma invenção recente, apoiada no desenvolvimento das redes de transportes e de comunicações. Por isso, demorou a arrancar em Portugal.

A oferta inicial era tímida e estava associada às termas: no Luso, em Monchique, em Vidago, em Pedras Salgadas. António Ferro queria mais, e sobretudo queria promover o turismo em todo o país, apostando no crescimento da procura interna, mas também da procura externa, derivada da neutralidade de Portugal durante a Segunda Guerra Mundial. À data do final do conflito na Europa, em maio de 1945, já havia pousadas em funcionamento em locais tão recônditos como o interior algarvio (São Brás de Alportel) ou o coração da serra do Marão (São Gonçalo). Dessa fase inicial somam-se ainda as pousadas de Elvas – a primeira de todas –, Santo António de Serém, São Martinho, Santiago e São Lourenço. 

Na altura, chamavam-se “Pousadas Regionais” e tinham como propósito oferecer aos hóspedes, nas palavras da época, um “conforto rústico”, isto é: receber com hospitalidade e de acordo com a cultura e a gastronomia locais.

Na década de 1950, o conceito expandiu-se. Às Pousadas Regionais juntaram-se as Pousadas Históricas, instaladas em monumentos classificados, embora muitos deles em avançado estado de degradação. A primeira a abrir foi a Pousada Castelo de Óbidos, inaugurada em 1951. Seguiram-se palácios, mosteiros e castelos. Era um dois em um: ao mesmo tempo que se recuperava património histórico, ajudava-se no desenvolvimento das regiões em que estes alojamentos estavam inseridos.

Durante três décadas, as Pousadas de Portugal foram construídas pelo Estado, mas exploradas por entidades privadas, seguindo o caderno de encargos previamente definido. No pós 25 de Abril, a gestão da rede passou para as mãos da ENATUR (Empresa Nacional de Turismo), um organismo estatal. Muitas foram as pousadas que entraram e saíram do portefólio nas décadas seguintes, que foram de crescimento.

Nos anos 90, suspenderam-se as construções de raiz para privilegiar as pousadas edificadas em património preexistente e classificado – como são os casos de Beja, Vila Viçosa ou Queluz –, ou então que tivessem uma traça arquitetónica representativa de determinada época – como são os casos de Viseu e de Alfama, por exemplo.

A rede era extensa e havia inconsistências entre as pousadas, com algumas a ficarem para trás, nomeadamente as de menores dimensões, mais difíceis de explorar. Em 2003, o Estado decidiu passar a gestão das Pousadas de Portugal para o setor privado. Em concurso público, a concessão passou para as mãos do Grupo Pestana, que implementou grandes reformas na rede durante os anos seguintes.

No início, houve muitas dificuldades. Uma das características das Pousadas de Portugal originais era a reduzida dimensão dos espaços. Dizia António Ferro: “Quando um cliente é conhecido pelo número do quarto e não pelo nome, estamos longe do espírito das Pousadas.” Por essa razão, em 2003 havia unidades com menos de uma dezena de quartos. O Grupo Pestana procurou respeitar esta filosofia, mas equilibrando-a com alojamentos de maior capacidade em regiões até aí sem oferta do género – como Estoi e Viseu.

Nos últimos 20 anos, as Pousadas de Portugal reinventaram-se. Com um investimento que já ultrapassa os 100 milhões de euros, a rede fez por se adaptar ao mercado, tornando-se mais competitiva – quer através da escolha de localizações estratégicas, quer com a construção de piscinas, de salas de reuniões ou de spas em unidades já existentes.

Mas o objetivo inicial, com mais de oito décadas, mantém-se: receber bem e à portuguesa, dando a conhecer o que de melhor o país tem para oferecer.