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Runcations e viagens ativas: porque cada vez mais pessoas levam os ténis de corrida de férias

12 de Março, 2026 / Atualizado em 13 de Março, 2026
Casal a correr nos passadiços à beira-mar no Alvor

Quando foi a última vez que voltou de férias com a sensação de que precisava de outras férias para recuperar?

Agora imagine o contrário: regressar a casa com as pernas cansadas, o telemóvel cheio de fotos de trilhos que nunca tinha visto, e a sensação real de que o corpo e a cabeça funcionam melhor do que antes de partir. É exatamente isso que uma runcation promete, e cada vez mais viajantes estão a cumprir essa promessa.

O termo, que junta “run” e “vacation”, descreve uma tendência que saiu das margens do nicho e entrou no vocabulário do turismo global. A National Geographic classificou-a como uma das grandes tendências de viagem, o Strava associou-se ao Airbnb para promover escapadinhas de corrida rurais, e operadores como a Contiki registaram um aumento de 105% nas reservas de itinerários ativos entre 2023 e 2024. Em Portugal, o fenómeno encontra um terreno fértil: clima ameno, relevo variado, provas internacionais de referência e uma rede de hotéis que começa a adaptar-se a quem viaja com ténis de corrida na mala.

O que é uma runcation (e porque não é só para maratonistas)

Uma runcation é, na sua forma mais simples, férias planeadas em torno da corrida. Pode significar inscrever-se numa meia maratona em Lisboa e aproveitar o fim de semana para explorar a cidade, ou passar cinco dias na Madeira a percorrer levadas ao ritmo de trote. A definição é flexível e é isso que torna o conceito tão acessível.

Não é preciso correr ultramaratonas nem ter tempos de qualificação. A runcation funciona igualmente bem para quem faz 5 km três vezes por semana e quer trocar o asfalto habitual por um trilho costeiro, ou para quem se está a preparar para a primeira corrida de 10 km e prefere treinar com vista para o mar em vez de dar voltas ao parque da cidade.

A diferença face a umas férias convencionais com “uma corridinha de manhã” é a intencionalidade: o destino, o alojamento e o itinerário são escolhidos a pensar na corrida. O resto (gastronomia, visitas culturais, tempo de praia) organiza-se em volta disso.

Os números por detrás da tendência

Não se trata de uma moda efémera de redes sociais. Os dados de 2024 e 2025 confirmam uma mudança estrutural na forma como as pessoas combinam exercício físico e viagens.

Indicadores Dados
Aumento de reservas em itinerários ativos (Contiki, 2023-2024) +105%
Crescimento da participação em clubes de corrida no Strava (2024) +59%
Gen Z (18-29 anos) que planeou ou considera uma runcation rural 74%
Corredores jovens que sentem “fadiga de percurso urbano” 56%
Aumento de pesquisas por “workout holidays” (Accor, 2024-2025) +50%
Gen Z no Strava (crescimento nos últimos 18 meses) +30%

Fontes: Strava Year in Sport 2024, Airbnb/Strava Research 2025, Contiki, Accor Hotels.

 

O perfil do viajante ativo também mudou. Já não estamos a falar exclusivamente de atletas amadores dedicados. Dois terços dos jovens entre 18 e 29 anos consideram-se corredores regulares, segundo o estudo do Airbnb e Strava e 72% deles planeiam uma recompensa pós-corrida (um brunch, uma pastelaria local, um mergulho no mar). A runcation é, por definição, uma experiência híbrida.

Porque é que Portugal está feito para runcations

Poucos países na Europa reúnem, num território tão compacto, tanta diversidade de terreno para correr. Do trail de montanha nas serras do interior à corrida costeira no Algarve, dos percursos urbanos históricos de Lisboa e Porto aos trilhos vulcânicos da Madeira, há literalmente uma runcation para cada nível e cada estética.

O clima ajuda. É possível correr ao ar livre durante todo o ano na maior parte do país, algo que destinos concorrentes no Norte da Europa não conseguem oferecer. E os custos de viagem, alimentação e alojamento continuam competitivos face a Itália, França ou Espanha, o que torna Portugal particularmente atrativo para corredores que viajam de fora.

Somam-se provas com reconhecimento internacional, como a EDP Meia Maratona de Lisboa (a única prova portuguesa no circuito SuperHalfs, com partida na Ponte 25 de Abril e mais de 30 mil participantes), a Maratona do Porto em novembro, ou o MIUT na Madeira, um ultra trail que atrai os melhores do mundo e já esgotou todas as distâncias para 2026.

Cinco destinos para uma runcation em Portugal (e onde ficar)

Lisboa: da Ponte 25 de Abril ao Terreiro do Paço

A capital tem um calendário de provas imbatível. A EDP Meia Maratona (8 de março de 2026) é o ex-libris, mas há também a Maratona de Lisboa em outubro (com partida em Cascais e chegada na Praça do Comércio) e dezenas de corridas menores ao longo do ano. Fora das provas, os percursos ao longo do Tejo, de Belém ao Parque das Nações, oferecem quilómetros planos com vista para o rio.

Onde ficar: O Pestana CR7 Lisboa, próximo do rio, na Baixa de Lisboa, põe-no a minutos da ciclovia ribeirinha. Outra alternativa é o Pestana Rua Augusta, que fica a 800 metros do Terreiro do Paço, onde termina a maratona. E se a ideia for combinar corrida com história e jardins, o Pestana Palace Lisboa, classificado como Monumento Nacional, tem jardins próprios que podem ser utilizados como aquecimento antes de sair para o Tejo.

Porto e Douro: entre o granito e o rio

A EDP Maratona do Porto (8 de novembro de 2026) tem um percurso plano e rápido que liga Porto, Matosinhos e Vila Nova de Gaia, passando pela Ribeira, pela Ponte D. Luís e pelas caves do vinho do Porto. Para além da maratona, a marginal até ao Farol de Felgueiras na Foz do Douro é um percurso clássico para qualquer corredor que visite a cidade.

Onde ficar: O Pestana Palácio do Freixo, instalado num palácio barroco à beira do Douro, dá acesso direto a percursos ribeirinhos (e a uma piscina infinita com vista para o rio para a recuperação pós-treino). No centro histórico, o Pestana Vintage Porto está à porta da Ribeira.

Madeira: o paraíso do trail running

A Madeira não é apenas destino de trail para elites. Com mais de 1500 km de levadas (canais de irrigação que funcionam como trilhos pedestres e de corrida), a ilha oferece percursos para todos os níveis, desde caminhadas suaves pelo Rabaçal até subidas técnicas ao Pico Ruivo (1861 m). O MIUT, que decorre entre 25-26 de abril de 2026, atravessa a ilha de Porto Moniz a Machico com 115 km e 7200 metros de desnível positivo, e integra o circuito World Trail Majors. Todas as distâncias (de 16 km a 115 km) já esgotaram.

Onde ficar: O Pestana Casino Park, desenhado pelo arquiteto Óscar Niemeyer e situado no centro do Funchal, é uma base conveniente para quem participa no MIUT ou quer explorar as levadas a partir da cidade. O Pestana CR7 Funchal, junto à marina, tem ginásio e localização central. Para quem procura um refúgio mais tranquilo, o Pestana Fisherman Village, em Câmara de Lobos, fica numa vila piscatória com trilhos costeiros à porta.

Algarve: falésias, sal e quilómetros

O sul de Portugal recebe mais de 7 milhões de visitantes por ano e tem boas condições de corrida quase todo o ano. Os percursos costeiros entre Lagos e Sagres, com passadiços de madeira sobre dunas e falésias de arenito, são dos mais fotogénicos do país. O calendário de provas inclui o Algarve Xtreme Trail (janeiro), o Trail Serra de Monchique (fevereiro) e várias corridas urbanas em Faro, Quarteira e Vilamoura.

Onde ficar: Em Alvor, o Pestana Alvor Praia está sobre as falésias com acesso direto a passadiços e trilhos do litoral. Para quem prefere uma base em Vilamoura, o Pestana Vila Sol Golf – Vilamoura tem circuitos de corrida nos jardins e no campo de golfe (sim, pode-se correr ali de manhã cedo). Quem viaja pela estrada ao longo do Algarve pode ir combinando provas e percursos em diferentes localidades.

Sintra e Cascais: trail à porta de Lisboa

O Parque Natural de Sintra-Cascais é o destino de trail mais acessível para quem está em Lisboa. A 30 minutos do centro, oferece trilhos técnicos pela serra com passagens por palácios, penedos graníticos e miradouros sobre o Atlântico. O Sintra Trail X’treme, que atrai atletas de mais de 20 nacionalidades, tem distâncias de 13 a 33 km. A ciclovia entre a Marina de Cascais e a Praia do Guincho é também um percurso plano popular entre corredores.

Onde ficar: O Pestana Sintra Golf coloca-o no coração da vila, a minutos dos trilhos do parque natural. Em Cascais, o Pestana Cidadela Cascais, instalado numa fortaleza do século XVII junto à praia, é a base ideal para combinar corrida costeira com recuperação no spa.

Calendário de provas em Portugal: runcations para 2026

Portugal tem um calendário denso de corridas ao longo de todo o ano. Estas são as principais provas que justificam, por si só, planear uma viagem.

Prova Data Distâncias Destino Destaque
EDP Meia Maratona de Lisboa 8 março 21,1 km / 10 km / 7 km Lisboa Partida na Ponte 25 de Abril. Circuito SuperHalfs.
MIUT (Madeira Island Ultra-Trail) 25-26 abril 16 km a 115 km Madeira World Trail Majors. Esgotado para 2026.
Maratona da Europa | Aveiro 25-26 abril 42 km / 21 km / 10 km Aveiro Top 100 mundial (95.º ranking World Athletics).
Ultra Trail do Marão 26-29 março 13 km a 35 km Amarante Serra do Marão. +30 nacionalidades.
EDP Maratona de Lisboa 11 outubro 42 km / 21 km / 8 km Lisboa (Cascais–Praça do Comércio) Percurso à beira-mar/rio. Partida em Cascais.
EDP Maratona do Porto 8 novembro 42 km / 15 km / 6 km Porto Percurso plano. Ribeira, Ponte D. Luís, caves.

Para um calendário completo de todas as provas em Portugal, consulte o Portugal Running.

Como planear a sua primeira runcation

A logística de uma runcation não é complicada, mas exige algum planeamento específico. Estas são as variáveis que fazem a diferença entre uma experiência memorável e uma viagem frustrante.

Escolha o formato: prova ou exploração livre?

Se a viagem gira em torno de uma prova oficial, comece por aí. Inscrições em provas como o MIUT ou a Meia Maratona de Lisboa esgotam meses antes, por isso reserve cedo. Se prefere corrida livre, use o Strava para encontrar percursos populares no destino (no separador Maps, há rotas criadas pela comunidade para qualquer ponto de partida) e o AllTrails para trilhos classificados por dificuldade.

Alojamento: proximidade e recuperação

O hotel ideal para uma runcation tem duas características: está perto do ponto de partida da corrida (ou do trilho) e oferece condições de recuperação, seja ginásio, spa ou simplesmente um bom pequeno-almoço. Muitos hotéis Pestana respondem a estes dois critérios. O grupo tem, aliás, uma oferta bike-friendly que sinaliza unidades com infraestrutura para desporto ativo.

O que levar (e o que não experimentar)

  • Ténis de corrida já rodados. Nunca, em circunstância alguma, estreie calçado numa runcation. Se vai fazer trail, leve um par específico com sola aderente.
  • Camadas leves. O tempo em Portugal pode mudar rapidamente, especialmente na Madeira e na Serra. Um corta-vento compacto é obrigatório.
  • Hidratação. Se correr trilhos longos, leve um colete de hidratação. Fontes nem sempre existem nos percursos rurais.
  • Alimentação familiar. Não é o momento de experimentar pratos novos na véspera de uma prova. Guarde as aventuras gastronómicas para a celebração pós-corrida.
  • Chegue um ou dois dias antes. O jet lag e a mudança de altitude (relevante na Madeira e na Serra da Estrela) afetam o desempenho.

Runcations não são (só) sobre correr

Um dos dados mais reveladores do estudo do Airbnb e Strava: para muitos corredores, a runcation não é sobre bater recordes pessoais. É sobre desligar, absorver paisagem, e partilhar a experiência com outros. Os dados do Strava mostram que, só no Reino Unido, quase um quarto de todas as corridas registadas são feitas com outras pessoas. E entre a Gen Z, 66% afirmam ter feito amigos através de grupos de corrida.

Em Portugal, esta dimensão social está naturalmente presente. A inscrição numa prova no Porto transforma-se facilmente num fim de semana com visita às caves, jantar na Ribeira e corrida matinal pela Foz. Na Madeira, o pós-corrida pode incluir uma poncha no Curral das Freiras ou uma descida ao mercado do Funchal para provar bolo de mel e maracujá. A runcation, no fundo, é uma desculpa estruturada para viver um destino com mais intensidade.

Correr é a melhor forma de conhecer um destino

Há algo que acontece quando se explora uma cidade ou uma paisagem a correr que não acontece a pé, de carro ou de autocarro turístico. O ritmo é suficientemente lento para reparar nos detalhes (o cheiro do eucalipto em Sintra, o reflexo do Douro ao nascer do sol) e suficientemente rápido para cobrir distâncias que a pé seriam impraticáveis.

Se já corre regularmente, as próximas férias não têm de significar uma pausa no treino. E se ainda está a começar, talvez a perspetiva de correr pela Ponte 25 de Abril ou pelas levadas da Madeira seja o empurrão que faltava. Reserve um quarto, inclua os ténis na sua mala, e corra. Pode começar por explorar os hotéis e Pousadas Pestana em cada um destes destinos, ou ler mais sobre viagens ativas no Pestana Stories.

Perguntas frequentes

O que significa runcation?

Runcation é a junção das palavras inglesas “run” (corrida) e “vacation” (férias). Designa uma viagem planeada em torno da prática de corrida, seja para participar numa prova oficial, explorar trilhos num destino novo, ou simplesmente manter a rotina de treino durante as férias.

Preciso de ser um corredor experiente para fazer uma runcation?

Não. A runcation adapta-se a qualquer nível. Corredores recreativos que fazem 5 a 10 km podem escolher destinos com percursos planos e bem sinalizados, como a marginal de Lisboa ou os passadiços do Algarve. O importante é que o planeamento da viagem tenha a corrida como eixo central.

Quais são as melhores provas de corrida em Portugal para uma runcation em 2026?

As mais emblemáticas são a EDP Meia Maratona de Lisboa (março), o MIUT na Madeira (abril), a Maratona da Europa em Aveiro (abril), a Maratona de Lisboa (outubro) e a Maratona do Porto (novembro). Cada uma delas oferece um percurso distinto e é uma excelente razão para planear uma escapadinha de vários dias.

Que tipo de alojamento é melhor para uma runcation?

O ideal é um hotel próximo do ponto de partida da corrida, com condições de recuperação (ginásio, spa, bom pequeno-almoço). Hotéis como os da rede Pestana, presentes em todos os principais destinos de corrida em Portugal, oferecem estas condições e estão frequentemente localizados junto a percursos urbanos ou costeiros.

A Madeira é um bom destino para trail running?

Excelente. A ilha tem mais de 1500 km de levadas convertíveis em percursos de corrida, a floresta Laurissilva classificada como Património Mundial pela UNESCO, e o MIUT, uma das provas de ultra trail mais prestigiadas do mundo. Há opções para todos os níveis, desde caminhadas de 16 km até ultras de 115 km.

A runcation é uma tendência passageira?

Tudo indica que não. Os dados de crescimento são consistentes ao longo de vários anos (os clubes de corrida no Strava cresceram 59% só em 2024), as parcerias entre plataformas como Strava e Airbnb institucionalizam a tendência, e operadores de viagem estão a criar pacotes dedicados. A National Geographic e a Fodor’s incluíram as runcations nas suas listas de tendências para 2026.

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